sábado, 25 de junho de 2011

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"Eles se amam. Todo mundo sabe mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. Simples. Complexo. Quase impossivel. Ele continua vivendo sua vidinha idealizada e ela continua idealizando sua vidinha. Alguns dizem que isso jamais daria certo. Outros dizem que foram feitos um para o outro. Eles preferem não dizer nada. Preferem meias palavras e milhares de coisas não ditas. Ela quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites
ela pensa nele, e todas as manhãs ele pensa nela. E assim vão vivendo até quando a vontade de estar com o outro for maior do que os outros. Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz. Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. É fácil porque os dias passam rápidos demais, é dificil porque o
sentimento fica, vai ficando e permanece dentro deles. E todos os dias eles se perguntam o que fazer. E imaginam os abraços, as noites com dores nas costas esquecidas pelo primeiro sorriso do outro. E que no momento certo se reencontrem e que nada, nada seja por acaso."
Tati Bernardi

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Fotografia

Você não sabe mas eu tenho uma foto sua
Que eu fico olhando o tempo inteiro
Querendo você pra mim
Ás vezes me pego perdida
Andando pelas ruas, e a sua imagem
Continua onde eu vou, é sempre assim
Fico olhando nos seu olhos
Sem ao menos te tocar
Entrar nessa fotografia é
Tudo que eu queria
Pra pode te amar
Sentir o sabor do seu beijo
É tudo que eu preciso e nada mais
Se eu pudesse tranformar em vida
Um segundo apenas meu desejo
Você saberia a falta que me faz.
Ás vezes fico tão ligada na fotografia
Que parece até, que o seu olhar está querendo me dizer
Que um dia pode ser real a minha fantasia
Que ao seu lado na fotografia, eu iria aparecer
Fico olhando os teus traços
Nunca vi tamanha perfeição
Eu daria minha vida pra ficar
Um dia no seu coração
Sentir o sabor do seu beijo
É tudo que eu preciso
E nada mais.
Se eu pudesse Tranformar em vida
Um segundo apenas meu desejo
Você saberia a falta que me faz.

(Paula Fernandes)

O Cartão



Eu tinha dezessete anos e era louca por um cara com quem trocava olhares, não mais que isso. Ele era o legítimo "muita areia pró meu caminhão" e jamais acreditei
que pudesse vir a se interessar por mim, o que me deixava ainda mais apaixonada, claro. Mulher adora um amor impossível.
Então chegou o dia do meu aniversário. No final da manhã eu estava em casa, contando os minutos para uma festa que daria à noite, quando a empregada apareceu com um cartão nas mãos, dizendo que o zelador o tinha encontrado embaixo da porta do prédio. Abri e fiquei azul, verde, laranja: era dele! Corri para o telefone e liguei
para a minha melhor amiga. "Que trote bobo, você quase me mata de susto, pensa que não sei que foi você que escreveu o cartão?" Ela jurou por todos os santos que
não. Liguei para outra amiga. "A letra é igual a sua, eu sei que foi você!" Não tinha sido. Liguei para outra: "Você acha que eu vou acreditar que um cara lindo
que nunca me disse bom dia veio até aqui largar um cartão amoroso desses?" Ela me recomendou terapia. bom, diante de tantas negativas, só me restou pensar: "Outra hora eu descubro quem é que está tirando uma comigo".
E esqueci o assunto.
Semanas depois estava caminhando na rua quando encontrei o dito cujo. Ele resmungou um oi, eu devolvi outro oi, e então ele perguntou se eu havia recebido o cartão de aniversário. Minha pressão caiu, minhas pernas fraquejaram,eu só pensava: mas que idiota eu fui! O que iria responder? "Recebi, mas jamais passaria pela minha cabeça que um homem espetacular como você, que pode ter a mulher que escolher, fosse entrar numa papelaria, comprar um cartão, escrever um texto caprichado, depois descobrir meu endereço e então pegar o carro, ir até a minha rua,
colocar o envelope embaixo da porta feito um ladrão, e aí voltar para casa e aguardar meu telefonema. Olhe bem pra mim, eu não mereço tanto empenho."
Respondi: "Que cartão?"
Ele soltou um "deixa pra lá" e foi embora se sentindo o mais esnobado dos homens. E assim terminou uma linda história de amor que nunca começou. Anos depois nos
encontramos casualmente e tivemos um rapidíssimo affair, mais aí já não éramos os mesmos, não havia clima, ficamos juntos apenas para ver como teria sido se. Vimos.
E não escutamos sinos, não fomos flechados pelo Cupido. Cada um voltou para a sua vida e nunca mais tivemos notícia um do outro.
Contei essa história para um amigo outro dia e ele comentou que conhecia outras mulheres assim. Epa, assim como? Ora, assim medrosa, desconfiada, temendo pagar micos
diante da vulnerabilidade que toda paixão provoca. Ele estava certo. Era assim mesmo que eu me sentia aos dezessete anos: medrosa e incapaz de levar um grande amor
adiante. Quando recebi o tal cartão, deveria ter ligado imediatamente para o meu príncipe encantado para agradecer e convidá-lo para a festa.
E se ele tivesse dito: "Que cartão?"
Eu responderia: "Deixa pra lá, mas venha à festa assim mesmo". E então eu assumiria as conseqüências, não importa quais fossem. O nomezinho disso: vida. É sempre
uma incógnita, portanto não vale a pena tentar fugir das decepções ou dos êxtases, eles nos assaltarão onde estivermos. Se você for uma garota boba como eu fui, acorde. Ninguém é muita areia pra ninguém. Pessoas aparentemente especiais se apaixonam por outras aparentemente banais e isso não é um trote, não é uma pegadinha, não é nada além do que é: um inesperado presente da vida, que todos nós merecemos.

(Martha Medeiros - Doidas e Santas)

terça-feira, 14 de junho de 2011

Mulher a moda antiga



Criada debaixo da saia da mãe; fui. Educada para ser grata, para pedir licença, para dizer obrigada. Para ser coberta a noite ao sentir frio, sem pedir. Para receber os melhores presentes, fora do aniversário. Para ser idolatrada até não querer mais e acordar com flores da cabeceira da cama, espanto, quase derrubando o café da manhã que me aguarda sobre a minha cintura, tão bem feito. Nasci para caminhar de mãos dadas, antes de qualquer aproximação maior da carne. Feita para esperar o amor bater a porta com frio, molhado da chuva, pedindo um canto do meu coração pra se aquecer. Feita para ser convidada para jantar, para ser levada em casa. Para ser guardada, para obedecer ordens da igreja, dos meus pais, do meu coração. Tão antiquada que me sinto em pleno século XX ao perceber que todas ao meu redor, procuram valores diferentes. Sou mais, sou menos? Nem eu sei. Que sou tudo que elas jamais ousariam ser. Que a minha vida se encaixa perfeitamente no enredo da rádio-novela que acabou de começar, que me apaixono pela voz do locutor e durmo ouvindo a voz dele. Que respeito os meus limites, e não sou dona do nariz, olhos e boca e vida. Sou dona de alguma coisa? Sou dona dos meus cd's, dos meus ouvidos, eu sou. Que acordo ouvindo Silhoutte do Kenny G e não ligo, de pensarem que sou a pessoa mais brega do mundo. Que espero casamento acompanhado dessa musica, mas antes, espero namoro de sofá, em casa.
A minha infância adormecida em meus pensamentos se impõe, estou na época errada? O mundo tão desenvolvido e eu me sentindo tão pequena nele, vim dele? Nasci para viver nele? Não encontro quase ninguém que tenha a mesma linha de pensamentos. Que vejo mulheres se ridicularizando para chamarem atenção de homens, que na ultima das hipóteses vão desejar chamá-las de: "Minha!". Finjo que não ligo, para não parecer tão fora de moda assim, mas não sei como se faz. Não sei como agir em um mundo tão 2011 que me dá medo. O que eu estou fazendo no meio de tanta gente procurando por tudo, menos por amor? Menos por fidelidade e sinceridade. Que não me contento em ser qualquer coisa e sou julgada por isso. Que meu fim será em cadeira de balanço -que eu já tenho- envolvida por mil tricô's mal terminados, assim como tudo que me envolve também. Estou errada? As poucas amigas que tenho aproveitam tanto a vida da maneira que acham certo, que me canso por elas. Os poucos homens que me apaixonei queriam uma única coisa de mim, na certa, a unica que eu não era disponível a ceder. E só fizeram eu reagir a um tipo de sentimento: A esperança e espera do próximo. O que faço aqui, no meio de tanta gente que só gostam do calor e ignoram o frio? Que não comemoram os meses de namoro e não ligam no fim da noite? Eu não sei o que faço aqui, mas há anos procura a saída de emergência. Se não for para ser essencial aqui, eu não quero. Se não for para ser a melhor, eu não serei nada.

Por: Bárbara Clara

Sem Explicação



É inegável como o corpo fica mais reto quando ele aparece e o sorriso instantâneamente pousa nos lábios dela. Força um pouco mais a vista pra ver aonde ele vai e se pra ela vai olhar. Não olha. Mas ela já ficou feliz, porque ele está alí tão pertinho... Estranho imaginar como tudo aconteceu. Como tudo não aconteceu. Nunca olhara pra ele, pelo contrário, desviou o olhar em outra direção mais confortável e ele, que sentara ao seu lado, passou despercebido como o vento que batia copiosamente. Ela olhou pra ele, mas não o viu. Ouviu a voz, mas não prestou atenção na leveza e na suavidade que seria ter uma voz daquela tão próxima de si. O olhar era tão compenetrado no que estava a frente, que ela se esquecia insistentemente de olhar para o lado. Vamos dar um trégua, uma colher de chá: estava escuro com o cair da noite e ela só conseguia olhar para o que ela já havia enxergado, e o que ela havia enxergado era o que os olhos queriam ver. O outro ela não olhou, como já disse, no primeiro momento, e não seria no cair da noite escura que ela olharia. Passou tanto tempo que ela esqueceu que qualquer um deles existia, mesmo se lembrando todos os dias. Ele voltou, não o que ela havia olhado, mas o que ela não enxergou, o que ela não viu. Mas viu naquele instante. As coisas alí aconteceram, finalmente. Ela sentiu, sorriu, respirou. Era ele, na verdade, tudo o que ela queria enxergar. Tudo o que ela idealizou naquele outro, alí teria e com muito mais qualidade. Sentiu tanta alegria, mas a renuncia aconteceu quando ela descobriu que nem todo mundo que enxerga tem boa visão. Ele não seria pra ela, porque já era pra alguém. Tarde demais, ela disse, te enxerguei e não consigo mais parar.

Marina Lemos

domingo, 5 de junho de 2011

Complexa



Sou conhecida pelo que falta, pelo que não sei e pelo que não vem. De tanto pensar e escrever no espelho do banheiro depois do banho, embassado. Por debaixo de um rimel bem aplicado, existe olhos que choraram.. cansaram, prometeram, além de olharem. Bastante! Desejaram conseguir reações através de pensamentos, como me ensinaram. Não devo ter aprendido direito; não veio. Rodeada por amigos imaginários suprindo a falta que me faz um ombro, um colo, um abraço. Que hoje me entendo como subentendida e provoco o silencio ao me perguntarem o que é que eu tenho. Se perguntarem pra você qual é o meu status diga que não sabe, nem eu sei. Apaixonada por perguntas sem respostas, entendo as coisas mais complexas e não entendo o óbvio. Ou não quero enxerga-lo! E ao admitir isso, meus olhos até que ameaçam se abrir, me iludindo como forma de carinho, mas se fecham. Grande novidade! Respondo, revido e só me sinto culpada por não me arrepender, por ter uma personalidade que de tão forte, me bate. Apanho, me curo e faço tudo de novo. Recomeço a minha vida todos os dias, grande parte da noite. E as inseguranças que me seguem se consolam entre si ao verem minhas vitórias, repentinas, passageiras; mas vitórias! Que em grau de felicidade, evolui. Aprendi, mas me pego querendo brigar com o coração que ultimamente, anda tão quieto que me vi sendo obrigada a parar e sentir se ele ainda batia. Fujo de quaisquer que sejam as responsabilidades que a vida me dá, ignoro as conseqüências e adoro, confesso. E só tenho pena, desdém do que é passageiro, do que não é verdadeiro. Me encontro todos os dias querendo descobrir afinal: Quem eu sou? Que não perco o habito de embassar os vidros do onibus também sempre que me vejo fazendo e refazendo essa pergunta, onde quer que eu esteja. Que eu receio contar, mas ao diário devo ter confessado: Essa armadura tão forte só funciona para quem não me conhece. Até estranham.
Invento problemas quando tá tudo certo, gosto do inesperado. Gosto de conseguir quando achava que estava tudo perdido! Talvez eu seja uma coitada, talvez eu mereça. Só consigo sonhar e há quem tenha pena de mim. Eu só queria agora, levantar de uma maneira diferente dessa cadeira. Possuindo um charme a-lá Marilyn Monroe, só queria hoje aparentar a mulher forte que não sou. E se sou, ainda não conheço. E me sentiria grata a quem a apresentasse para mim, quando tivesse um tempo livre. Canto enquanto não encontro, usando quase-sempre mesmas palavras. Enquanto eu descubro quem eu sou, todos ao meu redor pensam que tem certeza. Mas surpreendo, positivamente ou não. Entro em acordo comigo mesma e combino de pensar mais sobre isso amanhã. Afinal, estou feliz. Estou mentindo, estou feliz!

Por: Bárbara Clara

 

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Por não estarem distraídos


Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.
Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
Clarice Lispector

como queria que fosse diferente.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O quarto secreto, teu quarto

Este então é o teu segredo. Teu segredo é tão parecido contigo que nada me revela além do que sei. E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu. Assim como tu és o meu.
Clarice Lispector


quarta-feira, 1 de junho de 2011

Primeiro de Junho


Há alguns minutos atrás ainda era o meu aniversário e, segundo minha avó, ele só acaba no dia primeiro do mês que vem. E como eu acredito fielmente nas palavras dela, ainda estou comemorando meus longos dezenove anos de vida. Hoje eu tive comigo pessoas que compõe a minha vida de uma forma que ninguém nunca antes fez. Pessoas que têm estado comigo e me feito querer estar com elas para o resto da vida. Em mais esse ano de vida eu posso olhar pra trás com tanta alegria. Com algumas tristezas, sim. Mas as tristezas não me afetam nem me doem, já as alegrias me remetem àquela felicidade de antes e por isso eu sou feliz, porque guardo boas lembranças de dezenove anos vividos, batalhados, sonhadores. E vejo mais ainda, que mudei muito, mas não mudei nada de mim, nunca me mudei, apesar de ter mudado. Entende? Eu cresci (exceto pela altura) mas não mudei as vontades e desejos dentro de mim. Os sonhos são os mesmos e os ideiais também e eu sou tão feliz por não ter mudado. Mudar demais confunde suas convicções. Mudei algumas maneiras de pensar, de agir e de falar. Mas nada mudou no meu sorriso, no meu ser e no meu sentir, apesar de achar que mudando esse último faria um bem danado ao meu coração. Mas, como diria minha ispiradora Clarice, é preciso viver apesar de. E eu vivo, muito feliz, obrigada. Com essas mesmas pessoas que estiveram comigo nesse dia tão especial e alguns outros que por algum motivo não estiveram.

Rumo aos vinte, começando agora, fazendo tudo o que eu puder fazer para ser verdadeiramente feliz até lá.

Marina Lemos, pós festinha de aniversário.