segunda-feira, 30 de maio de 2011

Espera

sexta-feira, 27 de maio de 2011

-

 
 
E ficamos nessa de vai e não volta, nessa indecisão de uma certeza, na negação de uma vontade. Eu te amo e você me ama, mas o nosso amor não é o suficiente para nos unir. Precisamos de algo que ainda não temos, e talvez nunca venhamos a ter. Preciso ser minha antes de ser sua, e você precisa ser seu antes de ser meu. Mas você é da menina que mora na rua atrás da sua casa, e eu sou do cara que conheci em uma balada qualquer da vida. Somos tão diferentes, mas tão completos quando estamos um ao lado do outro. Poderíamos ser tão felizes, poderíamos ser tão amor...
 Tati Bernardi

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Cinderela

Ela é a espera.
A espera desse encantado que a salvará da torre, da bruxa e das intempéries cotidianas.
Vai longe o tempo de entender que é preciso ser o príncipe de si mesma.

Por: Vitor Quintan

terça-feira, 24 de maio de 2011

Ele



Ele é tão idiota. E bobo. E crianção. E chato. Mas ninguém me faz sentir o que ele faz quando toca em mim. Quando deixa sem querer, ou quase sem querer, uma parte dele tocar em uma parte minha. Quando por um motivo ou outro, a mão dele vem parar na minha. E alí fica. É tão estranho olhar pra ele e ver que tudo se encaixa, tudo é certo e perfeito para ser. Mas não é. Não é porque não é. Sem explicações maiores. Porque Deus não quis. Porque a vida não quis. Porque nós não quisemos, ou até quisemos, mas não tanto assim a ponto de querer. Não perco horas pensando nele, nem sofro como deveria nesses casos. As horas ao lado dele passam como qualquer outra hora ao lado de qualquer outra pessoa, mas é no final dessa hora... que ele vem. Ele, o sorriso. Não um simples sorriso, mas aquele de quando você lembra uma coisa engraçada ou que te proporciona a alegria espontânea. Sorrio porque penso que ele poderia ser meu. Sorrio porque lembro que ele não é, mas mesmo assim de alguma forma ele está em mim. E eu nele também. Ele sabe. Eu sei que sabe. Não nega, mas também não abre. Depois de sorrir, eu volto. Tenho tanta coisa pra fazer, tantos bodes pra resolver. Mas ele volta todo dia pra repetir meu mesmo sorriso pensante. Ele é idiota, bobo, crianção, chato... e eu? Eu sou louca por ele.

Marina Lemos

domingo, 22 de maio de 2011

Pequeno Grande Encontro.


Em meio a tanta gente conhecida se cumprimentando, sorrindo. Eu me deparo com você; acabo por fingir estou surpresa, embora agora eu ache que o melhor a fazer é fingir que sua presença não me causou reação alguma. Te encontro, e recomeço aqueles questionamentos e duvidas, curiosidade de saber o real motivo que  traz você alí. Com a esperança de que a resposta seja eu. Te encontro, não só você como aquele velho sorriso meio sem graça e o olhar meio desviado de sempre. Cá estamos nós, fingindo que esta tudo bem, sempre esteve. Sorrindo por não termos muito o que dizer, acostumados com o silencio que nos ronda de uma forma inacreditável. Puxando assuntos ridículos e míseros. Na verdade, não era nada disso que queriamos estar dizendo agora. Por alguns segundos parecemos não nos preocuparmos com o que algumas pessoas ali que conhecem a nossa história de cor, estão pensando pelo fato de estarmos ali, um de frente para o outro depois de tantos sentimentos jogados pelos ares. Finjo que não entendo essa sua magoa meio transparente, meio disfarçada de mim. Finjo que nem foi tão importante assim e que há muito tempo, deixei para trás. Entre pessoas me empurrando e esbarrando em mim - sem querer - ou até mesmo o destino fraco me colocando mais perto de você, eu olho para cima para encontrar os seus olhos, os encontro olhando para baixo, provavelmente para encontrar os meus. Como quem me faz recordar sobre aquelas suas piadinhas sem graça sobre a minha altura, que me deixavam profundamente irritava, te fazendo rir, mas deixando claro que se não fosse por ela, talvez você nem gostasse tanto de mim assim. Ao me recordar sorrio ao sentir que você se recordou também.
Escondo minhas mãos ao sentir que elas procuram ansiosamente pelas suas. Dispenso; qualquer tipo de lembrança que me faça cometer alguma loucura, que se compare com aquela de ter deixado você ir. Ao me lembrar que quando decidi por dizer que a minha vontade foi que você ficasse, você deixou claro que talvez fosse tarde, me irrito! E você percebe, do tanto que me conhece. Decido por me afastar, dizendo que vou procurar uma amiga, que foi bom te encontrar, sentindo aquela sua velha feição de: "eu quero tanto te dizer uma coisa.." E antes que eu queira mesmo saber que coisa é essa que nos move, ou nos faz ficarmos imóveis toda vez que estamos perto, vou para longe. Não olho para trás e não me arrependo por fugir assim da raia. Finjo que foi a coisa mais normal do mundo te encontrar e que a nossa conversa sem nexo não me fez suar. Permaneço longe; medrosa. Te vejo me olhando como quem não tivesse tirado os olhos um segundo se quer de mim, desde que sai do seu lado e que presenciou todas as minhas sensações, caretas e sorrisos, pós ficar tão perto de você. Fico sem graça, desvio como quem estava pensando em outra coisa. Me surpreende vindo a minha direção, andando lentamente, enquanto meu coração ensaia várias danças por esperar sua reação. E alí você me entrega o colar que deixei caí, de tanto segurá-lo forte em meio a nossa conversa, por não ter onde colocar a mão, por não ter preparado alguma reação antes. De tão sem graça que você consegue me deixar. Agradeço e peço desculpas, de não sei o que, mas peço de tão desastrada que sou. Você sorri, acredito que no fundo veio só pelo prazer de ver a minha reação quando é você que se aproxima. Meu susto, o espanto de pensar que talvez você tenha vindo por vontade louca sua. Caio em si, lembro que foi mesmo o colar o causador da sua repentina aproximação, mas não nego que suspiro ao pensar que ele tenha sido apenas uma desculpa para me ver sorrir pra você, de novo. Em meio a tanta gente assistindo esse espetáculo todo chamado: Eu e você. Resolvo ceder e ouvir os comentários, resolvo também concordar com eles. Eu mexo com você, tanto quanto você ainda mexe comigo!

por: Bárbara Clara


muito meu... e dele!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

-

 
 
"Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim.” 
 Caio Fernando Abreu
 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Qual Ele?

As pessoas mudam, é verdade. As pessoas mudam pra pior, é uma pena.
Quando começo a te observar, de longe sem que me perceba, vejo o que eu nunca vi, o que eu nunca toquei nem senti. Como pode ter mudado tanto?
Não são mais os mesmos olhos, a mesma voz, nem o mesmo sorriso... é tudo inventado.
As outras pessoas comentam que, de fato, algo nele está diferente. Alguma coisa fez com que ele mudasse. Mas não. Isso não é um elogio. Na verdade, isso é uma tese sobre o compartamento estranho, da pessoa mais natural que eu já conheci e que hoje já foi alterada.
Sinto falta de quando ele era ele mesmo, diferente de agora que ele é o que achar que precisa ser.
É uma pena, repito.

Marina Lemos

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Nem Tanto
























Nós agora estamos rindo baixinho da situação que a vida quiz nos colocar nos fazendo questionar sobre destino, sobre acaso, sobre todos os reais motivos para dar certo. Ou nem tão certo assim. Que a gente finge tão bem que não se conhece quando na verdade fizemos até cursinho um sobre a vida do outro. E além de olhar para ele, consigo olhar além dele... e é engraçado, se eu não conhecesse tão bem, eu até comprava. De novo e de novo, mas não! E morre de medo de me ver em outros braços e eu sei, mas e daí? Se eu já me acostumei e sei que nos seus braços cabe mais de mil. Sendo de uma vez só - ou não. O coração não dispara mais, só dá uns pulinhos pequenos, com os pés machucados, mas em pé. Acabei de curá-lo, tratamento dificil, prolongado, mas em pé. Ordenei para que ele parasse de pular, eu juro. Mas sem que eu perceba ele dá umas piruetas na medida do que pode. Grande mentiroso e um pouco mesquinho, é de dar dó e até sentir uma vontade de cuidar, dar um jeito nisso. Mas não! É curioso, e pergunta sobre mim todos os dias e procura por mim quando quer e me acha. E quando não acha, desiste de me procurar para não dar uma de arrependido. Também, porque não sente tanta minha falta assim. Eu sei, eu sei. É superficial a maneira como ele age enquanto eu me aproximo, como quem não sabe pra onde olha, se me espera ou vai embora. Provoco, provoco e recuo. Como sempre fiz, só para você manter a ideia de que eu não mudei! Ninguém acredita que estamos separados, porque todos podem ver os nossos olhares sempre se encontrando. A gente se vê, se pede, se abraça quando dá, e se não der, tudo bem. Não fazemos questão, também não nos gostamos tanto assim. Essa é a hora que você conta para os seus amigos o quanto idiota foi por ter me perdido, e eles reconhecessem. Mas não te consolam, também não são tão amigos assim, não é? Eu tenho um jeito de sorrir que te deixa imobilizado, mas você prefere optar pelo orgulho, mas pra mim isso tem nome: Amor.
... Mas também, não tanto amor assim!

por: Bárbara Clara

terça-feira, 17 de maio de 2011

Acorda, Querida!

Alguém, bem a frente, me viu chorar, me viu sofrer e se compadeceu da minha angústia, dos meus medos. Quando contei dos meu pesos esse alguém me confessou que, na minha idade, também era vítima das injustiças e incompreesões das pessoas. Eu, aflita para me livrar de toda a carga que me pesava, perguntei com esperança: - O que você fez então, para que a vida não te magoasse mais?
Ele sorriu como se olhasse para uma criança inocente fazendo uma pergunta óbvia de se responder e disse:
- Deixei de ser a vítima. E foi embora como um sopro de ânimo.




Qual é o seu drama de hoje?

Marina Lemos

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Recomeçar

"De algum modo já aprendera que cada dia nunca era comum, era sempre extraordinário. E que a ela cabia sofrer o dia ou ter prazer nele. Ela queria o prazer do extraordinário que era tão simples de encontrar nas coisas comuns: não era necessário que a coisa fosse extraordinária para que nela se sentisse o extraordinário."
Clarice Lispector - O Livro dos Prazeres





Que tal voltar à escrever aqui, sua preguiçosa? ;D